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TAÇA DE ELITE 2011

02/11/2011

Aconteceu novamente.

No dia 22/10/2011, nós, membros da Confraria da Águas Escondidas – CAE, reunimo-nos para mais uma Degustação anual da Taça de Elite.

O local escolhido desta vez foi o restaurante Olimpo, na praia da Charitas, em Niterói.

Serviço atencioso e profissional, os profissionais da casa, capitaneados pelo sommelier da casa, souberam, com maestria servir as preciosidades que foram por nós degustadas.

Mantendo o espírito democrático, quem impera na CAE, os vinhos apesar de obviamente degustado por todos, foram analisados individualmente pelos membros. Seguem abaixo as impressões tiradas no dia, por todos os confrades.

Vamos aos vinhos:

1-Château de Beaucastel Châteauneuf-du-Pape 1979 (Châteauneuf-du-Pape/França).
O resultado de todos os esforços e as inovações de três gerações da família Perrin é evidente quando se tem o prazer de saborear uma boa safra de Château de Beaucastel. Se uma palavra pode descrever os vinhos tintos de Beaucastel seria “pura”: porque estes vinhos são a expressão natural do lugar de onde provem e as uvas a partir do qual eles são extraidos. As treze variedades de uvas da denominação Châteauneuf-du-Pape com uma forte percentagem de Mourvèdre e Grenache (30% cada), 10% Syrah, 10% Counoise e 5% Cinsault. O restante dividido entre as variedades de uva restantes: Vaccarese, Terret Noir, Muscardin, Picpoul, Picardan, Bourboulenc e Roussanne. O vinho matura 12 meses em barrica francesa e depois um ano em caves da Beaucastel.

Nota: Visual límpido, de cor atijolado, meio escorregadio e brilhante. Bouquet de frutas secas, especiarias (pimenta, tomilho), mineral (terra úmida), floral (violeta), couro e um final persistente de tabaco. Na boca é seco, intenso, com um leve amargor, sápido, com nuances de frutas secas e especiarias. Taninos muito finos e sedosos deixando o vinho muito macio e equilibrado. Final de boca persistente. Simplesmente excelente! Um vinhaço com um magnífico potencial de guarda. 13,6% Álc.

2-Casa Ferreirinha Barca Velha 1981 (Douro/Portugal)
Barca Velha é o primeiro símbolo inquestionável da mais alta qualidade dos vinhos do Douro. Clássico, intenso, complexo, elegante e rico, os adjetivos são poucos para descrever aquele que é, desde a sua criação em 1952, o vinho português mais celebrado. Barca Velha é a base sobre a qual se formou a reputação da Casa Ferreirinha, a marca com maior tradição de qualidade no Douro e uma das principais referências mundiais. Barca Velha é declarado somente em anos verdadeiramente excepcionais (14 safras no total) Barca Velha é um vinho único, de grande complexidade, que precisa de tempo. Barca Velha é, desde a sua criação, elaborado com uvas selecionadas no Douro Superior. Predomina a casta Touriga Nacional. Deve ser saboreado com calma, acompanhado por pratos mais cuidados de carne, caça e mesmo alguns queijos, com sabores requintados e bem integrados. 12 a 18 meses em barrica francesa.

Nota: Cor rubi, escuro, boa densidade. Notas complexas de frutas negras (ameixas secas, amoras),compota, com uma madeira fina e discreta. Na boca é estruturado, potente, com ótimo ataque dos taninos e acidez. No geral, é um vinho volumoso, intenso e equilibrado, mas sem deixar de lado a elegância. Final de boca persistente e muito marcante. Um excepcional vinho, com um excepcional potencial de guarda! 13% Álc.

3-Tenuta San Guido Sassicaia 1999 (Bolgheri/Itália)
Bolgheri Sassicaia 1999 D.O.C. Elaborado com 85% Cabernet Sauvignon e 15% Cabernet Franc. Maturado 25 meses em barrica francesa e logo depois mais 6 meses em garrafa. Um vinho de cor escura e brilhante. O nariz mostra um perfume encantador, fresco, mostrando uma deliciosa fruta misturada com tabaco e minerais. Muita elegância e finesse. A boca é elegante, com muita fruta vermelha e pimenta, taninos muito bem entrelaçados, composto com uma textura sedosa, ampla e simplesmente deliciosa..

Nota: Cor rubi, límpido, pouco transparente de brilho médio. Bouquet frutado (amoras, cereja), intenso, persistente, com notas de especiarias, mentol, alcaçuz, anis e floral (violeta). Boca seca, amargor sutil, álcool equilibrado, sápido, taninos macios e finos. Excelente equilíbrio e persistência. Pronto para beber. Sem dúvida, um grande e excelente vinho toscano! 13% Álc.

4-Château La Mission Haut Brion Grand Cru Classé 2002 (Pessac Leognan/França)
Em 1953, o vinho tinto de La Mission Haut-Brion alcançou o título de “grand cru classé” de Graves. Em 1983, os Dillons, também proprietários do famoso Castelo Haut-Brion adquiriram o campo. Situado não muito longe da primeira safra classificada, Haut-Brion, o vinho da Missão é, no entanto diferente. Poderoso, expressivo, ele desenvolveu um toque muito “feminino”. Corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. Maturação de 18 a 22 meses em barrica francesa.

Nota: Outro grande vinho! Cor rubi com reflexos alaranjados, límpido, brilhante e pouco transparente. Bouquet complexo de frutas secas (ameixa, uva passa), especiarias, resina e minerais (terra, verniz) conjugados com uma discreta baunilha no final. Boca seca, de acidez adequada, equilibrado, taninos finíssimos e sedosos. Excelente persistência gustativa. Um vinhaço de qualidade excepcional! 12% Álc.

5-Château Angelus Premier Grand Cru Classé 2006 (Saint-Emilion/França)
Um excelente Saint-Emilion! Sob a direção de Hubert de Boüard desde meados da década 1980, Angelus criou sua reputação de produzir um dos mais importantes vinhos na sua denominação. Elevado a status “1er Grand Cru”, em 1996, o Ch. Angelus é claramente um dos melhores vinhos desta denominação, encantando críticos e amantes do vinho. O Angelus está localizado próximo à cidade de Saint-Emilion e próximo ao famoso Ausone, Belair e Beauséjour. O vinho é feito com 60% Merlot e 40% Cabernet Franc.

Nota: O Angelus foi o último vinho da noite para fechar com chave de ouro. Cor violácea, muito límpido, relativamente escorregadio e escuro. Alcoólico, com notas de frutas negras (amora, ameixa), tostados, alcaçuz, mentol, com um final de compota. Na boca é seco, quente, com taninos e uma textura adequada. Um vinho denso, poderoso e complexo. Excelente potencial de guarda! 14% Álc.

Sítio da CAE: http://confrariadasaguasescondidas.wordpress.com/

 

Um Novo “Barca Velha”?

26/04/2010

Todos os países, grandes produtores de vinhos, possuem seus vinhos emblemáticos, lendários até.

Portugal, com sua tradição multi secular possui alguns, podendo-se citar o Pera Manca, vários vinhos do porto e o mítico Barca Velha. Barca Velha não é um  vinho produzido todos os anos, apenas em anos cuja colheita e vinificação sejam considerados excepcionais.

Ocorre que o vinhedo que há décadas era usado para plantar as uvas que dariam ou não um Barca Velha, agora é utilizado para outro grande vinho da mesma família que também faz parte do grupo que produz o Barca Velha, o Quinta do Vale Meão.

Este vinho vem recebendo notas altíssimas a cada ano, chegando a receber 97 pontos do Robert Parker,  tendo seu preço, infelizmente, acompanhado a evolução das notas.

Para muitos, como eu, o Quinta do Vale Meão já bate o Barca Velha. Em recente degustação às cegas, da qual participei, e na qual estavam presentes um Barca Velha, um Quinta do Vale Meão, e outros dois grandes vinhos (da Espanha), foi unânime a preferência pelo segundo.

O Barca Velha continua com seu lugar reservado na adega de qualquer apreciador de vinhos, mas certamente o Quinta do Vale Meão já faz parte do rol dos grandes vinhos portugueses.


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