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Esporão Garrafeira 1999

10/08/2013

Esporao GarrafeiraTendo em vista que alguns, bons, vinhos melhoram com o tempo, muitos são guardados na adega a espera do momento ideal de serem abertos.

Às vezes é difícil acertar a época correta deste momento, seja por razões técnicas para a escolha da data, seja por falta de paciência em aguardar alguns anos.

Tinha esse Esporão Garrafeira, safra 1999, guardado na adega há anos. Na verdade por muitas vezes olhava para ele e desistia, escolhendo outro vinho, não por querer deixá-lo mais tempo a esperar, mas porque, admito, acreditava que seu tempo já tinha passado.

Assim como a guarda ajuda alguns vinhos, se a espera for demasiada, o único “benefício” alcançado será a morte do vinho.

Ontem a noite, de forma despretensiosa, abri a adega pensando em degustar algum vinho português, de preferência alentejano. Passando a vista pelas prateleiras dos portugueses, deparei-me novamente com o Esporão Garrafeira 1999. Cara a cara, olho no olho ele me chamou!

Era a hora da prova, e posso afirmar que nosso amigo não me decepcionou. Os anos de guarda só fizerem bem ao cavalheiro alentejano.

Vamos ao vinho

A linha Garrafeira da Herdade do Esporão atualmente é comercializada com o nome de Private Selection. O vinho faz parte do projeto de modernização feita pela vinícola, a partir de 1995.

A empresa passou a usar uma nova nova adega, com lagares específicos para pequenos volumes, o que demonstra mais cuidado com a qualidade que com a quantidade.

O Garrafeira 1999 foi vinificado a partir das castas Aragonês e Alicante Bouschet, não incluindo a Syrah, que hoje em dia faz parte do Private Selection.

O vinho estagiou 18 meses em barricas e carvalho francês de primeiro uso e, após, mais 18 meses em garrafa, até ser comercializado.

Prova:

Os seus quase 14 anos vieram devidamente marcados pela cor atijolada, apresentando-se límpido e sem reflexo.

No nariz apresentou-se etéreo, como não poderia deixar de ser. Notas de couro, caça, pimenta do reino e um leve tostado. Muito agradável.

Na boca se mostrou equilibrado, macio, com bom corpo. Taninos redondos e aveludados. Intenso e ainda persistente. Belo final de boca.

Enfim, o Esporão Garrafeira 1999 mostrou seu poder de guarda, demonstrando boa longevidade.

Pena ser quase impossível achar outra garrafa a venda. De toda forma, fica a dica para a linha Esporão Private Selection (nova designação).

 

VISITA A CORTES DE CIMA

28/12/2012

DSCN2213Meus amigos e os que seguem este blog sabem o quanto admiro os vinhos produzidos pela vinícola portuguesa Cortes de Cima.

Tal admiração não é sem razão. Seus vinhos aliam tradição à tecnologia, sem nunca perder o característico toque de personalidade.

Conhecedor da bela história da vinícola, fruto de um sonho de um casal dinamarquês-americano, ele o exigente Sr. Hans Jorgensen e ela a multi ativa Sra. Carrie Jorgensen, já sabia do uso de tecnologias modernas na viticultura, bem como na produção dos vinhos.

Pois bem, resovi conhecer a vinícola in loco.

Após algumas trocas de e-mail e mensagens via facebook (a vinícola é expert no uso das redes sociais), agendei uma visita, enquanto da minha estada em Portugal, em novembro deste ano.

Ao chegar a Cortes de Cima, fomos, eu e minha esposa, recebidos pelo cortês Sr. José Eduardo, responsável pelo TI da vinícola. Após uma breve explanação sobre a história da Cotres de Cima, bem como sobre os números da empresa, pudemos admirar a beleza da propriedade e ficamos sabendo de dados curiosos, tais como, que a Cortes de Cima consegue produzir boa parte da energia elétrica consumida, através de fontes renováveis de energia.

Após, seguimos nossa visita às instalações da vinícola, agora conduzidos pela simpaticíssima e sempre sorridente Helena Sardinha, enóloga assistente da Cortes de Cima.

Helena nos mostrou todas as etapas da produção do vinho, desde as modernas prensas até o sistema automatizado de rotulagem.

Pudemos observar os diversos vinhos devidamente estocados em barricas, que ainda seriam fruto de análise pela equipe da vinícola, para saber quais deles seriam engarrafados como determinado vinho, visto que a Cortes de Cima possui uma grande variedade de vinhos em seu portifólio.DSCN2207

A Cortes de Cima possui, ainda, uma pequena adega experimental, que faz as vezes de mini laboratório, onde a equipe de enólogos experimenta novas técnicas e diversos cortes de uvas.

IMG_0517Finalizando a visita, em grande estilo, fizemos a degustação dos vinhos: Chaminé, tinto e branco, Cortes de Cima, além dos varietais, Touriga Nacional, Petit Verdot e Trincadeira, vinos estes que serão analisados em outro post. Neste momento, além da companhia da Helena Sardinha, que discorreu sobre os vinhos, fomos recepcionados pela proprietária Carrie Jorgensen, que se mostrou extremamente atenciosa conosco.

Enfim, a visita à Cortes de Cima só serviu para ratificar minha convicção sobre a vinícola. Uma empresa onde muito se trabalha, sempre em busca da perfeição, utilizando-se das mais modernas técnicas, mas sem nunca perder a personalidade.

Para quem deseja degustar um belo alentejano, fugindo do lugar comum, os vinhos da Cortes de Cima são a minha indicação.

No Rio de Janeiro é fácil encontrar seus vinhos. Para quem tiver alguma dificuldade o importador e distribuidor é a Adega Alentejana.

UM BELO ALENTEJANO

26/06/2011

Basta uma pequena olhada no mapa de Portugal, para verificar que o Alentejo é a maior região vinícola portuguesa. Alentejo, como o nome já identifica, remete a “Além do Rio Tejo”, ou seja, uma região ao sul de Portugal, abaixo da rio que  empresta seu nome.

Com aproximadamente 31.000 km² (quase um terço de Portugal), o Alentejo, sozinho, responde por quase 10% de toda a produção vinícola lusitana.

O cultivo de uvas e a tradição vinícola remontam à época da presença romana na região, algo em torno do século 4 a.c.. Suas planícies vastas e quentes a transformaram no “celeiro” de Portugal, e foi justamente essa vocação agrícola que relegou o Alentejo ao quase ostracismo vinícola em Portugal.

Na década de 40, Salazar (ditador português) mandou remover as videiras do Alentejo, para fomentar o plantio de gêneros alimentícios, fazendo com que a região pudesse produzir alimentos para o país. Tal medida relegou a produção local (alentejana) a obscuridade, ou ao menos ,não permitiu uma completa evolução, como a dos seus irmãos do Douro.

Somente a partir dos anos 1990 é que o Alentejo passa a se modernizar, com a implementação de novas regras de plantio e vinificação. Há quem diga que esta evolução foi prejudicial, porque retirou características marcantes dos vinhos da região, tornando-os padronizados. Verdade seja dita: A padronização dos vinhos, deixando todos com a mesma cara, em obediência a um mercado que adora vinhos frutados, potentes e amadeirados, é terrível, mas isso é assunto para uma outra postagem.

Entretanto, para o Alentejo a evolução foi benéfica. Bons vinhos tornaram-se excelentes e, na maioria da vezes, fugiu-se ao execrável padrão (frutado, alcoólico, amadeirado) que Robert Parker tanto admira e os neófitos compram.

O Alentejo é celeiro de grandes vinhos, tais como o Pera Manca, Mouchão Tonel 3-4 e outros. Deixo como dica um alentejano excepcional. Se ainda não tem o mesmo respeito aqui no Brasil, que os dois citados acima, é por pura falta de conhecimento dos brasileiros. Vamos ao vinho:

– Monte da Penha Reserva – 2001 – DOC Alentejo

Vinho Alentejano, da sub região de Portalegre.

O vinho leva as castas Trincadeira (55%), Aragonês (25%), Alicante Bouschet (18%) e Moreto (2%). O mesmo estagia um ano em pipas de carvalho francês e, depois, mais 6 meses em garrafa, antes de ser posto a venda.

Possui 13% de álcool, o que é uma benção nos dias de hoje, fugindo completamente do já citado padrão  (frutado, alcoólico, amadeirado). Vinho muito equilibrado, com muito corpo e taninos totalmente arredondados. Já apresenta notas de evolução, com um marcante toque de pelica. Mutíssimo persistente, tanto no nariz, quanto na boca.

Preço médio: R$ 250,00

Recomendadíssimo.


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