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13/07/2010

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GATTINARA – OUTRA FACE DO PIEMONTE

11/07/2010

O Piemonte é uma importante região no norte da Itália, que, como seu nome nos diz, fica ao-pé-do-monte.

Quando se fala em Piemonte, a região vinícola italiana, sempre nos vem a mente a famosa casta Nebiolo.

A Nebiolo, por sua vez, geralmente nos remete aos emblemáticos vinhos Barolo e Barbaresco, que são considerados as as jóias da coroa do Piemonte, que são produzidos na região de Langhe.

Felizmente a diversidade faz a alegria dos enófilos, e nem só de Barbaresco e Barolo vive o Piemonte.

Um pouco mais afastado, na região de Biella é produzido o ótimo Gattinara, que ao contrário de seus “primos” não é tão conhecido internacionalmente.

O Gattinara passa ao menos três anos envelhecendo, sendo ao menos um em barris de madeira (podendo chegar a dois, dependendo do produtor), diverso do Barolo, que dos mesmos três anos de envelhecimento, passa dois nos barris e do Barbaresco que só envelhece por dois anos, sendo apenas um em madeira.

No Brasil não é muito fácil encontrar um Gattinara, entretanto em algumas lojas pode-se encontrar o Travaglini, que como curiosidade apresenta uma garrafa de formato diferente, com um lado quase reto.

O vinho degustado por mim foi exatamente um Gattinara da família Travaglini, safra 2004, 100% Nebiolo.

No nariz apresentava notas de especiarias (pimenta e alcaçuz) e um toque marcante de alcatrão e baunilha. Muito agradável.

Na boca um bom corpo, com os taninos de boa qualidade, mas ainda um pouco vivos. Boa persistência.

Um vinho diferente, para quer quer fugir um pouco das previsíveis opções do fantástico Piemonte.

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VINHOS NO AVIÃO – A CARTA DA AIR FRANCE

15/06/2010

Viajar de avião, muitas vezes, é um prelúdio de desconforto, cadeiras apertadas e mau, senão péssimo, serviço de bordo.

A Air France não foge muito a essa regra. Entretanto a citada companhia aérea francesa sempre se destacou pelo esmero na escolha da sua carta de vinho, até pela tradição cultural francesa no mundo enológico.

A carta da Air France é trocada a cada seis meses, e são sempre muito aguardadas as novidades que irão fazer parte da mesma.

As escolhas ficam a cargo do brilhante  sommelier Olivier Poussier, que busca um perfeito equilibrio entre as novidades e os clássicos.

Por óbvio, os passageiros da primeira classe (Classe La Premier), e da classe executiva (Classe Affaires) acabam privilegiados e têm à sua disposição pérolas como Champagne Gosset Cuvée ou um Bordeaux Grand Cru, dentre outros, mas os demais também, estão muito bem servidos por belos caldos franceses.

Seguem abaixo as atuais escolhas de Poussier, que passam a integrar da cave da Air France:

Classe La Premier (primeira classe)

Gosset Cuvée Célébritis 1998, Chablis 1er cru Montmains 2007 W. Fèvre, Cornas les Barcillants 2007 Les Vins de Vienne, Margaux Château Lascombes 2007 2ème grand cru classé

Classe Affaires (classe executiva)

Ayala Brut Majeur, Limoux Terroir Haute Vallée 2007 Cave Sieur d”Arques, Moulin à Vent 2006 G. Dubouf, Médoc Châteu Tour Séran 2007 Jean Guyon Cru Bourgeois

Classe Alizé

Jacquart Brut Mosaïque, Château Grand Ferrand 2008 Borie Manoux, Corbières 2008 G. Bertrand

Classe Voyageur

Jacquart Brut Mosaïque, Vin de Pays d”Oc 2009 La Baume, Vin de Pays d”Oc 2009.

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UM VINHO DIFERENTE – Encostas do Trogão 2006

06/06/2010

Nada mais agradável que poder experimentar vinhos fora de roteiro, aqueles vinhos que, geralmente, passam longe das prateleiras das lojas.

O vinho em questão é um legítimo trasmontano, ou seja, um vinho da região de Trás-os-Montes, em Portugal, mais precisamente da freguesia de Rebordelo.

O vinho já foi a produção mais rentável desta região, entretanto no final do século XIX, a filoxera devastou  grande parte dos vinhedos e a replantação foi então proibida.

Rebordelo, para se situar, está integrada no concelho de Vinhais, distrito de Bragança. Para o único “rebordelense” que conheço, Rebordelo se localiza em Portugal, tão somente, devendo ser encarada como a capital deste distinto País, ou quem sabe até a “capital do mundo”.

Como visto, povo orgulhoso que já contou com 1165 habitantes e agora, segundo o censo de 2001, conta com 665 residentes.

Em Rebordelo ainda se faz a prensagem das uvas pelo método tradicional, através da pisada com todos, ritimadamente, geralmente ao som das cantigas que os homens entoam, abraçados num cordão humano.

Bem, vamos ao vinho, que foi-me apresentado por este amigo rebordelense.

Encostas do Trogão tinto, 2006. Vinho Regional Trasmontano. 14,5% álcool. Produtor: Adega Cooperativa do Rabaçal.

Vinho de cor rubi escuro, com reflexos violáceos, sem nenhum sinal de impureza. Nota dez para a cor.

No nariz, de cara, notava-se um aroma marcante de  romã sobressaindo até o fim da garrafa. Havia ainda aromas de frutos em compota, mas que volatizaram rápido. Um bom nariz, com média intensidade e média persistência.

Na boca, mostrou-se sedoso, mas um tanto rapado, talvez por excesso de filtragem (não consegui obter esta informação). Vinho de uma certa doçura carecendo de  um pouco de acidez, mas extremamente agradável. Novamente notas frutadas na boca.

Enfim, um vinho fácil de beber e fácil de agradar.

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A UVA TANNAT

05/06/2010

A uva Tannat é originária do sul da França, mais especificamente das regiões de Madiran e Cahors.

Na França a Tannat é, geralmente utilizada em corte, ou seja com mais de uma uva, notadamente em conjunto com a Merlot, que confere maior maciez à rústica Tannat.

Como o próprio nome já nos leva a perceber a Tannat é muito rica em taninos, o que a leva produzir vinhos adistringentes, mas muito estruturados. O vinho varietal (de uma só uva) feito com a Tannat é geralmente ácido e nervoso, necessitando de tempo para ser “domado”.

A Tannat, definitivamente, não é uma uva para iniciantes. Entretanto, por produzir vinhos com elevada acidez, combinada com sua preciosa estrutura é muito apreciada por quem realmente entende de vinhos.

Os vinhos feitos com a Tannat fogem ao padrão “vinho geleia”, aquele vinho que mais parece uma compota de tão adocicados e sem acidez. Esse padrão de vinho (geleia) internacionalizou-se, e infelizmente tem afastado os neófitos de muitos vinhos de qualidade, que fogem a esse padrão.

No novo mundo, a Tannat tornou-se emblemática no Uruguai, onde é a principal vinífera cultivada, local onde consegue demonstrar uma personalidade única e muito apreciada no mundo do vinho, exatamente por fugir do padrão comum (geleia).

Pesquisa da PUC/RS afirma que Tannat apresenta o maior índice de resveratrol, antioxidadente que é responsável por combater os radicais livres e evitar doenças cardiovasculares, além evitar doenças ligadas ao envelhecimento, como Parkinson e Alzheimer.

Enfim, saia da mesmice. Abra um Tannat e descubra o que o mundo pode lhe apresentar.

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COPA DO MUNDO – Degustação de Vinhos da África do Sul

27/05/2010

Para quem não sabe, ainda, CAE é a Confraria das Águas Escondidas, um a confraria de Niterói, no Rio de Janeiro da qual muito orgulhosamente faço parte.

A título de curiosidade, a palavra Niterói em Tupi significa águas escondidas, daí a lógica do nome.

No dia 22/05 deste ano foi realizada a 38ª Degustação, evento que ocorre mensalmente. O local escolhido, pelo sempre zeloso e profundo conhecedor de vinho, nosso confrade  Marcelo Andrade, foi o Nossa Casa, localizado na Rua Nóbrega, nº 198 em Icaraí.

O tema desta degustação foi a África do Sul, país sede da Copa do Mundo deste ano.

As informações do vinhos foram colhidas do blog do Marcelo Andrade, visto que, infelizmente, não pude participar desta degustação. Vamos aos vinhos:

1- Glen Carlou Tortoise Hill Red 2006. 14%
Este sem dúvida é um vinho despretensioso, para ser bebido agora ou por mais 1 ano. Um corte diferente de Cabernet Sauvignon, Zinfandel, Shiraz, Tempranillo e Merlot. Cor rubi com notas de frutas vermelhas. Frutado, franco com notas de violeta e pimenta do reino branca. Boca gostosa, boa fruta, taninos macios e acidez adequada. Conceito: Muito bom! R$ 57,00.

2-Polkadraai 2009. 13,5%
Vinho da região de Stellenbosch. Corte de Pinotage-Merlot. Rubi c/ reflexo violáceo. Ricos aromas de ameixas, pimenta e cassis apoiado por leve toque de especiarias… Em boca, equilibrio, taninos sedosos, boa acidez e final longo… Bom retogosto. Conceito: Excelente! Eleito o melhor vinho da degustação. R$ 72,00.

3-The Goatfather 2008. 14,5%
Outro vinho de corte. 54% Sangiovese, 28% Barbera e 18% Cabernet Sauvignon. Cor rubi. Boa fruta, groselha no nariz, com toques de tabaco. Meio encorpado, boa acidez, bons taninos, fino e notas de carvalho ao fundo. Um bom vinho! Conceito: Excelente! 2º lugar na degustação! R$ 64,00.

4- Boekenhoutskloof The Wolftrap 2007. 14,5%
Corte de 60% Syrah, 39% Mourvèdre, 1% Viognier. Nariz opulento, frutado e floral. Em boca é frutado, carnoso, bons taninos e de acidez moderada com toque de especiarias no final. O vinho é generoso, amplo e muito agradável. Conceito: Muito bom! R$ 65,00.

5-Nederburg Twenty 10 Cabernet Sauvignon 2007. 14,3%
100% Cabernet Sauvignon. Corr ubi, escuro. Nariz, frutas negras em compota com notas de café e carvalho tostado. Um vinho quente, com boa fruta e corpo médio. Um pouco desequlibrado… Mas tem boa persistência e bom retrogosto. Vinho da Copa! Conceito: Bom. R$ 52,00

6-Spice Route Mourvedre 2007. 14,5%
Um vinho elegante, com notas de café, baunilha e boa fruta (framboesa e amora). Boca, acabamento refinado, persistente longo, com nuances minerais. Um pouco quente no final, mas bom. Um vinho e tanto desta cepa que normalmente entra em cortes no Sul da França. Fora do convencional. Pronto para beber. Conceito: Muito bom! R$ 79,00.

Lembro que a CAE está sempre de portas abertas a novos enófilos, interessados em degustar bons vinhos e trocar muitas e boas informações sobre estes.

Maiores informações podem ser conseguidas pelo meu e-mail, ou no sitio da CAE: http://confrariadasaguasescondidas.wordpress.com/

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VINHOS EM DESTAQUE NO FIM DA EXPOVINIS 2010

13/05/2010

Terminada a Expovinis, provavelmente a maior feira enológica do Brasil, sempre bate aquela curiosidade em saber quais foram os vinhos que se destacaram no evento.

Esclarecendo, acerca da Expovinis, esta é uma feira onde produtores e distribuidores, nacionais e internacionais, apresentam seus produtos ao público sempre ávido por informações.

Sempre há novidades que merecem atenção, e principalmente é um momento quase único de se conversar com “aquele” produtor pequeno, que produz um vinho marcante e de personalidade.

Ocorre que paralelamente à feira, ocorre o julgamento de vários vinhos, em um concurso disputado.

Quais foram as estrelas dessa edição da Expovinis? Segue abaixo a lista, que pode ajudar você nas suas próximas compras:

  • Espumantes Brasileiros
    Grand Legado Brut Champenoise – Wine Park
  • Espumantes Brasileiros
    Grand Legado Brut Champenoise – Wine Park
  • Espumantes do Mundo
    Ferrari Perlé Brut 2002 (Decanter)
  • Sauvignon Blanc
    Sauvignon Blanc Yealands Estate 2009 – Yealands Estate
  • Chardonnay
    Chardonnay Villaggio Grando 2008 – Villaggio Grando
  • Branco de outras castas
    Mesh Riesling 2007 – Grosst-Hill Smith, Eden Valley (KMM)
  • Rosado
    Chateau de Pourcieux 2009 (Cantu)
  • Tinto brasileiro
    Sesmarias 2008 – Miolo Wine Group
  • Tinto Novo Mundo
    Morandé Grand Reserva Syrah 2005 – Morandé (Carvalhido)
  • Tinto Velho Mundo
    Herdade do Esporão Touriga Nacional 2007 – Herdade do Esporão (Qualimpor)
  • Fortificados e Doces
    Madeira Justino’s Colheita 1995 – Justino Henriques (Porto a Porto)

Em outra oportunidade falaremos sobre as características de alguns desses vinhos.

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Concours Mondial de Bruxelles – CMB

09/05/2010

Existem muitos concursos e provas de vinhos no mundo. Pouquíssimos são tão respeitados quanto  o Concours Mondial de Bruxelles.

Em verdade os chamados concursos de vinhos, ao contrário do que possa aparentar, não elegem o “Melhor Vinho do Mundo”. A grande virtude desses concursos é apresentar ao público novos rótulos ou mesmo safras diferenciadas.

Os Grandes Vinhos do mundos, aqueles já consagrados e com preços estratosféricos, nunca participam desses eventos, por não precisarem desta divulgação, tendo um nome já consolidado e por venderem-se por si próprios.

Outro motivo, é que os produtores desses grandes vinhos não gostariam de ver seus preciosos líquidos “perderem” para algum “novato” e provavelmente com preço infinitamente inferior.

Voltando ao CMB, o concurso premia os vinhos nas categorias – Medalha de Prata, Medalha de Ouro e Grande Medalha de Ouro. Receber um desses títulos pode ajudar a alavancar a venda de um vinho. Muitos e muitos vinhos recebem essas comendas, pois não há apenas uma medalha de prata ou ouro, são várias e várias, como uma espécie de reconhecimento da qualidade do vinho.

A coisa melhora um pouco, com a Grande Medalha de Ouro. Dos quase 7.000 vinhos provados, menos de 1% recebem esta distinção. Entretanto a categoria mais cobiçada é a Best Wine Trophy, com a qual apenas 6 vinhos são agraciados, pelo melhor desempenho absoluto em sua categoria.

Assim, quando vires um vinho medalha de ouro, ou medalha de prata, não pense como em uma olimpíada, pois este vinho recebeu a comenda com outras centenas de concorrentes.

Enfim, não baseie-se por resultados em concursos, dê oportunidades a vários vinhos.

Segue abaixo, por curiosidade, os seis vinhos agraciados em 2010 com o Best Wine Trophy no CMB:

  • Best Sparkling (espumante): Champagne Baron-Fuenté Grand Cru Brut (France)
  • Best White: Viu Manent Chardonnay Reserva 2009 (Chili)
  • Best Rosé: Casal da Coelheira Rosé 2009 (Portugal)
  • Best Red: Michel Torino Don David Tannat 2008 (Argentine)
  • Best Sweet: Lustau Solera Reserva Pedro Ximénez San Emilio (Espagne)

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    A QUESTÃO DA ROLHA!

    06/05/2010

    Vira e mexe travo uma conversa, quase discussão, com algum defensor ferrenho das rolhas de cortiça.

    A grande questão: A garrafa de vinho deve ser vedada, exclusivamente, com uma rolha feita de cortiça?

    Lembremos que até o século XVIII os vinhos sequer eram engarrafados, e muito menos vedados com rolhas. É inegável a contribuição que a dupla, garrafa de vidro/rolha de cortiça deu ao mundo do vinho.

    Esta combinação, em detrimento das ânforas, mal ou não vedadas, garantiu longevidade e facilidade de transporte ao líquido de Baco.

    A cortiça, por sua característica elástica garante excelente vedação, permitindo ainda, graças a sua porosidade, uma micro oxigenação que é muito apreciada para os vinhos que vão envelhecer na garrafa (desnecessário para vinhos de consumo rápido, como a maioria).

    Problemas

    Ocorre que, o mundo da cortiça não é feito só de maravilhas. Para começar, a cortiça é obtida da casca do Sobreiro, uma árvore típica de Portugal (Alentejo), e que praticamente só se adaptou por lá mesmo.

    Para se ter uma ideia da dificuldade de obtenção da cortiça, o Sobreiro depois de plantado só “dará” sua primeira casca para fabricação daquela depois de 25 anos. Após este prazo, com a árvore já madura, a mesma pode ter a casca retirada a cada “míseros” 9 anos.

    Já deu para ter uma ideia da dificuldade de se obter cortiça para todos os vinhos do mundo, isso sem falar, é claro, no custo, tendo em vista que é um produto escasso.

    Uma rolha de cortiça, de boa qualidade, pode custar de 0,25 centavos de Euro ao absurdo de 1 euro. Imagine isso no custo de uma garrafa de vinho! Há vinhos que custam menos de 5 Euros.

    Para piorar, o calcanhar de Aqulies da rolha de cortiça responde por um palavrão técnico, chamado de “2,4,6 tricloroanisole”, mais conhecido na indústria vitivinícola por TCA, o composto que surge associado à presença de odores de mofo ou o chamado gosto a rolha (bouchonée)

    O TCA pode atingir  de 3% a 5%  dos vinhos engarrafados com rolhas de cortiça, gerando grandes prejuízos aos produtores.

    Há alternativas

    Atualmente existem as rolhas feitas de materiais sintéticos, imunes ao TCA e muito usado em vinhos de grande consumo, por seu baixo custo.

    Temos ainda as screw caps, ou tampas de rosca, muito utilizadas sobretudo nos vinhos brancos (que não precisam de micro oxigenação). Há excelentes vinhos australianos e neozelandezes que utilizam a screw cap, e são respeitadíssimos no mundo todo.

    Há pouco tempo surgiu a tampa de vidro, esta ainda pouco utilizada e menos difundida, mas que pode trazer muitas boas surpresas ainda.

    Por fim, quando encontrar um vinho que não possua uma rolha de cortiça, não feche a cara, pois você bebe o vinho e não a rolha.

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    VINHEDO EM PRESÍDIO

    29/04/2010

    Mente vazia, oficina do diabo.

    Todos já devem ter ouvido falar em presos que trabalham em presidios, enquanto cumprem suas penas. São tarefas simples como artesanato, confecção e similares, muitas vezes com rendimento auferido pelo mesmo.

    Agora, e se eu dissesse que há um presidio onde seus “ocupantes” produzem vinho? E de forma legal é claro!

    Este lugar existe e fica em Portugal, mais precisamente na região de Setubal. Trata-se do estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz.

    Conta a história que o local do presídio pertenceu a um falsário, que teve suas terras confiscadas pelo governo. São 1.600 hectares, com 12 hectares à disposição dos “vinheteiros”.

    O local é gerenciado por um ex guarda prisional e atualmente engenheiro. De resto não há mais nada que lembre tecnologia, todos os outros trabalhadores são presidiários cumprindo pena.

    A produção iniciou-se na década de 1960 e era basicamente para consumo interno (soa até engraçado pensar em um tempo em que isso era permitido).

    A coisa não é bagunçada não, na década de 1980 boa parte do vinhedo foi replantada respeitando-se as castas originais, visando manter a qualidade do vinho.

    As castas cultivadas no inesperado vinhedo são as tintas Castelão, Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Syrah e Cabernet Sauvignon. As brancas, em menor proporção são o Arinto, Fernão Pires e Rabo de Ovelha (as castas portuguesas realmente possuem nomes muitos diferentes).

    Verba ali é artigo de luxo. A colheita das uvas é feita totalmente de forma manual, com a fermentação feita sem controle de temperatura. A rotulagem é feita usando-se os dedos mesmo, e não há barricas suficientes para manter o vinho estagiando, assim este vai logo para a garrafa e venda.

    Por falar em venda todos os vinhos ali produzidos são vendidos em uma loja no próprio presídio, por preços entre 3€ e 6€.

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    Confraria das Águas Escondidas

    Niterói - Rio de Janeiro

    Vinho e Champagne Exepcionais

    A sua importadora “boutique”

    Saboreando

    Sabores, texturas e encantos para o paladar

    Alexandra Corvo

    SOMMELIÈRE PROFISSIONAL - ANÁLISE INDEPENDENTE

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    Vinho por Marcelo Andrade

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