Esporão Garrafeira 1999

10/08/2013

Esporao GarrafeiraTendo em vista que alguns, bons, vinhos melhoram com o tempo, muitos são guardados na adega a espera do momento ideal de serem abertos.

Às vezes é difícil acertar a época correta deste momento, seja por razões técnicas para a escolha da data, seja por falta de paciência em aguardar alguns anos.

Tinha esse Esporão Garrafeira, safra 1999, guardado na adega há anos. Na verdade por muitas vezes olhava para ele e desistia, escolhendo outro vinho, não por querer deixá-lo mais tempo a esperar, mas porque, admito, acreditava que seu tempo já tinha passado.

Assim como a guarda ajuda alguns vinhos, se a espera for demasiada, o único “benefício” alcançado será a morte do vinho.

Ontem a noite, de forma despretensiosa, abri a adega pensando em degustar algum vinho português, de preferência alentejano. Passando a vista pelas prateleiras dos portugueses, deparei-me novamente com o Esporão Garrafeira 1999. Cara a cara, olho no olho ele me chamou!

Era a hora da prova, e posso afirmar que nosso amigo não me decepcionou. Os anos de guarda só fizerem bem ao cavalheiro alentejano.

Vamos ao vinho

A linha Garrafeira da Herdade do Esporão atualmente é comercializada com o nome de Private Selection. O vinho faz parte do projeto de modernização feita pela vinícola, a partir de 1995.

A empresa passou a usar uma nova nova adega, com lagares específicos para pequenos volumes, o que demonstra mais cuidado com a qualidade que com a quantidade.

O Garrafeira 1999 foi vinificado a partir das castas Aragonês e Alicante Bouschet, não incluindo a Syrah, que hoje em dia faz parte do Private Selection.

O vinho estagiou 18 meses em barricas e carvalho francês de primeiro uso e, após, mais 18 meses em garrafa, até ser comercializado.

Prova:

Os seus quase 14 anos vieram devidamente marcados pela cor atijolada, apresentando-se límpido e sem reflexo.

No nariz apresentou-se etéreo, como não poderia deixar de ser. Notas de couro, caça, pimenta do reino e um leve tostado. Muito agradável.

Na boca se mostrou equilibrado, macio, com bom corpo. Taninos redondos e aveludados. Intenso e ainda persistente. Belo final de boca.

Enfim, o Esporão Garrafeira 1999 mostrou seu poder de guarda, demonstrando boa longevidade.

Pena ser quase impossível achar outra garrafa a venda. De toda forma, fica a dica para a linha Esporão Private Selection (nova designação).

 

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Hartenberg Cabernet Sauvignon / Shiraz – 2005

27/01/2013

Hartenberg Cabernet Sauvignon / Shiraz – 2005

Hartenberg

O vinho em questão é um belo exemplo da moderna vinicultura da África do Sul, mais especificamente da região de Stellenbosch, uma das mais afamadas daquele país e terra de excelentes vinhos.

Como não podia deixar de ser, o Hartenberg Cabernet Sauvignon / Shiraz é o típico vinho do Novo Mundo, que agrada com facilidade a maioria das pessoas.

Com um corte de Cabernet Sauvignon e Shiraz, levando ainda pequena parcela de merlot, ainda que não especificado no rótulo, o vinho mostra-se extremamente agradável.

O vinho é da safra de 2005, tendo passado por barris de carvalho, por 12 meses.

14% de álcool.

 

Vamos a análise do vinho:

No visual um vermelho rubi, com reflexos granada.

No nariz predominam notas de frutas vermelhas bem maduras, e já algumas frutas secas, como ameixa – o vinho é de 2005 -, além de um toque de baunilha (marcante) e pimenta do reino.

Na boca é muito agradável. Seco, sápido, macio, com médio corpo e taninos presentes e muito bem domesticados, com boa persistência. Vinho harmônico e bem equilibrado, com os 14% de álcool devidamente seguros pela acidez correta e bons taninos.

Para quem quiser degustar um vinho do Novo Mundo, sem aquela pegada exagerada de fruta/álcool/madeira, tem no Hartenberg Cabernet Sauvignon / Shiraz uma ótima opção.

VISITA A CORTES DE CIMA

28/12/2012

DSCN2213Meus amigos e os que seguem este blog sabem o quanto admiro os vinhos produzidos pela vinícola portuguesa Cortes de Cima.

Tal admiração não é sem razão. Seus vinhos aliam tradição à tecnologia, sem nunca perder o característico toque de personalidade.

Conhecedor da bela história da vinícola, fruto de um sonho de um casal dinamarquês-americano, ele o exigente Sr. Hans Jorgensen e ela a multi ativa Sra. Carrie Jorgensen, já sabia do uso de tecnologias modernas na viticultura, bem como na produção dos vinhos.

Pois bem, resovi conhecer a vinícola in loco.

Após algumas trocas de e-mail e mensagens via facebook (a vinícola é expert no uso das redes sociais), agendei uma visita, enquanto da minha estada em Portugal, em novembro deste ano.

Ao chegar a Cortes de Cima, fomos, eu e minha esposa, recebidos pelo cortês Sr. José Eduardo, responsável pelo TI da vinícola. Após uma breve explanação sobre a história da Cotres de Cima, bem como sobre os números da empresa, pudemos admirar a beleza da propriedade e ficamos sabendo de dados curiosos, tais como, que a Cortes de Cima consegue produzir boa parte da energia elétrica consumida, através de fontes renováveis de energia.

Após, seguimos nossa visita às instalações da vinícola, agora conduzidos pela simpaticíssima e sempre sorridente Helena Sardinha, enóloga assistente da Cortes de Cima.

Helena nos mostrou todas as etapas da produção do vinho, desde as modernas prensas até o sistema automatizado de rotulagem.

Pudemos observar os diversos vinhos devidamente estocados em barricas, que ainda seriam fruto de análise pela equipe da vinícola, para saber quais deles seriam engarrafados como determinado vinho, visto que a Cortes de Cima possui uma grande variedade de vinhos em seu portifólio.DSCN2207

A Cortes de Cima possui, ainda, uma pequena adega experimental, que faz as vezes de mini laboratório, onde a equipe de enólogos experimenta novas técnicas e diversos cortes de uvas.

IMG_0517Finalizando a visita, em grande estilo, fizemos a degustação dos vinhos: Chaminé, tinto e branco, Cortes de Cima, além dos varietais, Touriga Nacional, Petit Verdot e Trincadeira, vinos estes que serão analisados em outro post. Neste momento, além da companhia da Helena Sardinha, que discorreu sobre os vinhos, fomos recepcionados pela proprietária Carrie Jorgensen, que se mostrou extremamente atenciosa conosco.

Enfim, a visita à Cortes de Cima só serviu para ratificar minha convicção sobre a vinícola. Uma empresa onde muito se trabalha, sempre em busca da perfeição, utilizando-se das mais modernas técnicas, mas sem nunca perder a personalidade.

Para quem deseja degustar um belo alentejano, fugindo do lugar comum, os vinhos da Cortes de Cima são a minha indicação.

No Rio de Janeiro é fácil encontrar seus vinhos. Para quem tiver alguma dificuldade o importador e distribuidor é a Adega Alentejana.

Taça de Elite 2012 – CAE

19/11/2012

Uma vez mais o nosso grupo Taça de Elite da Confraria das Águas Escondidas – CAE, de Niterói – RJ, reuniu-se para degustar belos vinhos.

A relação deste ano estava perfeita. Vale aqui uma homenagem ao nosso confrade Marcelo Andrade, pela escolha dos vinhos.

Tarde prazerosa, no Restaurante Olimpo, com excelente companhia e vinhor maravilhosos. Mais uma degustação para ficar na memória.

Vamos aos vinhos:

Champagne Philipponnat Royale Reserve Millésimee Brut 2002

Produção pequena em Aÿ. Bela cor, perlage pequena e constante. Nariz limpo, notas delicadas de frutas cítricas, cristalizadas, manteiga, tostados e um toque de baunilha. Na boca, acidez gostosa, deixando a boca fresca com uma persistência gustativa muito boa. Boa safra, excelente champagne.

Hermitage Chevalier de Stérimberg Paul Jaboulet Ainé 2005

Sem sombra de dúvidas, o segundo melhor vinho branco do ano. Notas mineriais, frutas e flores brancas, baunilha e amêndoas, com uma madeira muito bem posta. Nem demais, nem de menos. Bouquet complexo. Na boca, corpo macio, acidez correta, equilibrado e muito persistente. Belíssimo hermitage.

Chateau Mouton de Rotschild 1er Grand Cru Classé 1976

Outro belo Mouton, diferente da safra 89 que estava um pouco mais inteiro. Cor rubi, límpido e claro com reflexos granada bem definidos. Bouquet evocando frutas vermelhas, minerais, pelica e especiarias. Na boca, se mostrou macio, com taninos e acidez compatíveis com a idade, bom equilibrio e final de boca longo e marcante. Vinho elegante, aveludado e complexo.

Chateau Latour 1er Grand Cru Classé 1977

Outro mega vinho. Bem mais inteiro que o Mouton. Cor rubi, com reflexos granada, bom corpo. Nariz de frutas negras secas, licor de cassis, mineral, tabaco e especiarias, boa complexidade.. Na boca, taninos finos, ainda bem presentes, acidez correta, equilibrado, uma boa estrutura ainda presente. Final de boca longo, persistente e sedoso.

Barbaresco Angelo Gaja 1971

Na minha opinião, a grande surpresa do dia. O vinho estava com um reflexo quase ambar, um pouco turvo. Faz parte. Bouquet evocando frutas secas (nozes) resina, notas de eucalipto, propólis e minerais. Intenso e simplesmente complexo. Chegando a ser praticamente exótico. Na boca, acidez vivíssima, taninos marcantes e um retrogosto invejável e persistente. Estava complicado sair do palato… Vinhaço! Não é a “Ferrari” dos vinhos, e sim o “Bugatti Veyron” dos vinhos.

Penfolds Grange 1997

Outro vinhaço, meu povo. Cor negra, opaca. Notas de frutas negras em compota, chocolate (que depois se dissipou..), tostados, madeira e especiarias (canela). Na boca é untuoso, com acidez de primeira qualidade, taninos marcados e elegantes. Vinho equilibrado, elaborado com 100% Shiraz. Excelente estrutura, elegante e marcante. O melhor vinho australiano que minha vida.

Patrícius Tokaji Aszú 4 Puttonyos 2003

Vinho dourado. Notas de frutas secas, laranja e um toque de mel. Na boca, acidez alta, licoroso, bom corpo e final persistente de licor de laranja. O nariz decepcionou um pouco, sendo melhor na boca.

Créditos pelas descrições: http://vinhopormarceloandrade.wordpress.com/

 VINHO E CONTOS DE FADAS – Homenagem a Hans Christian Andersen

19/08/2012

Vinho e contos de fadas?

Sim, este vinho é uma bela homenagem da vinícola alentejana Cortes de Cima a um dos maiores escritores dinamarqueses, quiçá de todo o mundo.

Hans Christian Andersen nasceu em Copenhagen, em 1875 e foi autor de peças de teatro e contos, mas ficou imortalizado mesmo pelos contos de fadas, tais como O Patinho Feio, Soldadinho de Chumbo e A Pequena Sereia.

A Cortes de Cima, vinícola portuguesa criada e tocada pelo casal Jorgensen; Hans e Carrie, ele dinamarquês como o autor dos contos, ela estadunidense, revolucionou o mercado de vinhos no Alentejo.

Modernas técnicas de plantio e vinificação, aplicadas pela Cortes de Cima, teem levado à criação de belíssimos vinhos, de muita qualidade, desde os mais simples da casa, como o corretíssimo Chaminé, até os seus Tops, como o irretocável Cortes de Cima Reserva e o badalado Incógnito.

O vinho em questão é o Cortes de Cima Homenagem a Hans Christian Andersen, um vinho intermediário da vinícola. Criado em homenagem ao bicentenário do escritor conterrâneo do proprietário, é um vinho 100% Syrah.

A Cortes de Cima foi a pioneira na introdução da francesa Syrah no Alentejo, introdução esta muito bem sucedida. Dos vinhos produzidos exclusivamente com a Syrah, a Cortes de Cima nos apresenta três vinhos, o Cortes de Cima Syrah (vinho mais simples), o Incógnito (Top Syrah) e o Homenagem a Hans Christian Andersen, vinho intermediário da empresa.

Mesmo homenageando o autor de O Patinho Feio, este vinho não faz nada feio, muito pelo contrário. Tarta-se de um excepcional Syrah, com aromas marcantes de framboesa e boas notas que realçam sua passagem por 7 meses em madeira. Um vinho equilibrado, com médio corpo e final longo.

Enfim, para quem pretende experimentar um 100% Syrah fica a recomendação.

Custo do vinho: em torno de R$ 150,00.

CLOS DE MONTMARTRE – OUTRO VINHEDO INUSITADO

01/05/2012

Mais um da série vinhedos inusitados, pelo mundo.

Muita gente adorou o post sobre um vinhedo dentro do estabelecimento prisional Pinheiro da Cruz, em Portugal.

(Relembre aqui: https://gustavinho.net/2010/04/29/vinhedo-em-presidio).

Desta vez, a postagem é sobre um vinhedo quase que perdido dentro da cidade de Paris. Acabei por descobri-lo quase por acaso, em uma vista à Cidade Luz.

É impressionante nunca ter ouvido falar do Clos de Montmartre, vinhedo extremamente pequeno, encravado em um terreno de esquina.

A região de Montmartre, com suas inesgotáveis ladeiras, já foi uma área de plantio de vinhas, assim como toda Paris. A especulação imobiliária ocorrida no fim do século XIX praticamente dizimou seus vinhedos.

O Clos de Montmartre, especificamente, foi redescoberto e replantado, em 1933. As variedades que ali se desenvolvem são a Gamay e a Pinot Noir.Image

Todo ano, em outubro, é realizada a Fête des Vendages, festa que celebra a colheita das uvas, com shows, fogos de artifícios e desfiles.

O vinho em si não é barato, e também não é nenhuma obra do deus Baco, sendo considerado por muitos como, no máximo, aceitável. Todo o valor arrecadado com a venda do vinho é utilizado em melhorias no próprio bairro pela prefeitura de Paris, dona do vinhedo.

Enfim, acho que o vinho vale mais pela sua curiosidade e manifestação cívica de uma região. Um vinhedo que resistiu à especulação imobiliária e ao crescimento da cidade, mantendo a tradição vinícola de Montmartre acesa até os dias de hoje.

TAÇA DE ELITE 2011

02/11/2011

Aconteceu novamente.

No dia 22/10/2011, nós, membros da Confraria da Águas Escondidas – CAE, reunimo-nos para mais uma Degustação anual da Taça de Elite.

O local escolhido desta vez foi o restaurante Olimpo, na praia da Charitas, em Niterói.

Serviço atencioso e profissional, os profissionais da casa, capitaneados pelo sommelier da casa, souberam, com maestria servir as preciosidades que foram por nós degustadas.

Mantendo o espírito democrático, quem impera na CAE, os vinhos apesar de obviamente degustado por todos, foram analisados individualmente pelos membros. Seguem abaixo as impressões tiradas no dia, por todos os confrades.

Vamos aos vinhos:

1-Château de Beaucastel Châteauneuf-du-Pape 1979 (Châteauneuf-du-Pape/França).
O resultado de todos os esforços e as inovações de três gerações da família Perrin é evidente quando se tem o prazer de saborear uma boa safra de Château de Beaucastel. Se uma palavra pode descrever os vinhos tintos de Beaucastel seria “pura”: porque estes vinhos são a expressão natural do lugar de onde provem e as uvas a partir do qual eles são extraidos. As treze variedades de uvas da denominação Châteauneuf-du-Pape com uma forte percentagem de Mourvèdre e Grenache (30% cada), 10% Syrah, 10% Counoise e 5% Cinsault. O restante dividido entre as variedades de uva restantes: Vaccarese, Terret Noir, Muscardin, Picpoul, Picardan, Bourboulenc e Roussanne. O vinho matura 12 meses em barrica francesa e depois um ano em caves da Beaucastel.

Nota: Visual límpido, de cor atijolado, meio escorregadio e brilhante. Bouquet de frutas secas, especiarias (pimenta, tomilho), mineral (terra úmida), floral (violeta), couro e um final persistente de tabaco. Na boca é seco, intenso, com um leve amargor, sápido, com nuances de frutas secas e especiarias. Taninos muito finos e sedosos deixando o vinho muito macio e equilibrado. Final de boca persistente. Simplesmente excelente! Um vinhaço com um magnífico potencial de guarda. 13,6% Álc.

2-Casa Ferreirinha Barca Velha 1981 (Douro/Portugal)
Barca Velha é o primeiro símbolo inquestionável da mais alta qualidade dos vinhos do Douro. Clássico, intenso, complexo, elegante e rico, os adjetivos são poucos para descrever aquele que é, desde a sua criação em 1952, o vinho português mais celebrado. Barca Velha é a base sobre a qual se formou a reputação da Casa Ferreirinha, a marca com maior tradição de qualidade no Douro e uma das principais referências mundiais. Barca Velha é declarado somente em anos verdadeiramente excepcionais (14 safras no total) Barca Velha é um vinho único, de grande complexidade, que precisa de tempo. Barca Velha é, desde a sua criação, elaborado com uvas selecionadas no Douro Superior. Predomina a casta Touriga Nacional. Deve ser saboreado com calma, acompanhado por pratos mais cuidados de carne, caça e mesmo alguns queijos, com sabores requintados e bem integrados. 12 a 18 meses em barrica francesa.

Nota: Cor rubi, escuro, boa densidade. Notas complexas de frutas negras (ameixas secas, amoras),compota, com uma madeira fina e discreta. Na boca é estruturado, potente, com ótimo ataque dos taninos e acidez. No geral, é um vinho volumoso, intenso e equilibrado, mas sem deixar de lado a elegância. Final de boca persistente e muito marcante. Um excepcional vinho, com um excepcional potencial de guarda! 13% Álc.

3-Tenuta San Guido Sassicaia 1999 (Bolgheri/Itália)
Bolgheri Sassicaia 1999 D.O.C. Elaborado com 85% Cabernet Sauvignon e 15% Cabernet Franc. Maturado 25 meses em barrica francesa e logo depois mais 6 meses em garrafa. Um vinho de cor escura e brilhante. O nariz mostra um perfume encantador, fresco, mostrando uma deliciosa fruta misturada com tabaco e minerais. Muita elegância e finesse. A boca é elegante, com muita fruta vermelha e pimenta, taninos muito bem entrelaçados, composto com uma textura sedosa, ampla e simplesmente deliciosa..

Nota: Cor rubi, límpido, pouco transparente de brilho médio. Bouquet frutado (amoras, cereja), intenso, persistente, com notas de especiarias, mentol, alcaçuz, anis e floral (violeta). Boca seca, amargor sutil, álcool equilibrado, sápido, taninos macios e finos. Excelente equilíbrio e persistência. Pronto para beber. Sem dúvida, um grande e excelente vinho toscano! 13% Álc.

4-Château La Mission Haut Brion Grand Cru Classé 2002 (Pessac Leognan/França)
Em 1953, o vinho tinto de La Mission Haut-Brion alcançou o título de “grand cru classé” de Graves. Em 1983, os Dillons, também proprietários do famoso Castelo Haut-Brion adquiriram o campo. Situado não muito longe da primeira safra classificada, Haut-Brion, o vinho da Missão é, no entanto diferente. Poderoso, expressivo, ele desenvolveu um toque muito “feminino”. Corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. Maturação de 18 a 22 meses em barrica francesa.

Nota: Outro grande vinho! Cor rubi com reflexos alaranjados, límpido, brilhante e pouco transparente. Bouquet complexo de frutas secas (ameixa, uva passa), especiarias, resina e minerais (terra, verniz) conjugados com uma discreta baunilha no final. Boca seca, de acidez adequada, equilibrado, taninos finíssimos e sedosos. Excelente persistência gustativa. Um vinhaço de qualidade excepcional! 12% Álc.

5-Château Angelus Premier Grand Cru Classé 2006 (Saint-Emilion/França)
Um excelente Saint-Emilion! Sob a direção de Hubert de Boüard desde meados da década 1980, Angelus criou sua reputação de produzir um dos mais importantes vinhos na sua denominação. Elevado a status “1er Grand Cru”, em 1996, o Ch. Angelus é claramente um dos melhores vinhos desta denominação, encantando críticos e amantes do vinho. O Angelus está localizado próximo à cidade de Saint-Emilion e próximo ao famoso Ausone, Belair e Beauséjour. O vinho é feito com 60% Merlot e 40% Cabernet Franc.

Nota: O Angelus foi o último vinho da noite para fechar com chave de ouro. Cor violácea, muito límpido, relativamente escorregadio e escuro. Alcoólico, com notas de frutas negras (amora, ameixa), tostados, alcaçuz, mentol, com um final de compota. Na boca é seco, quente, com taninos e uma textura adequada. Um vinho denso, poderoso e complexo. Excelente potencial de guarda! 14% Álc.

Sítio da CAE: http://confrariadasaguasescondidas.wordpress.com/

 

Vinho da Alsácia

11/09/2011

A região da Alsácia, no noroeste da França, encontra-se próximo à fronteira da Alemanha e Suíça.

A região esteve em muitas ocasiões sob disputa da França e Alemanha, tendo pertencido a cada lado, conforme a época. Com o fim da segunda guerra mundial, a região foi definitivamente incorporada ao território francês.

Esta disputa parece só ter feito bem aos vinhos ali produzidos, pois os mesmo apresentam as belas qualidades francas e germânicas.

Na região a produção é quase totalmente de vinhos brancos, apresentando alguma marca residual de tintos, entretanto inexpressivos. A vocação da região é realmente os brancos, digo, os Grandes Brancos.

As principais castas da região são: Riesling, Pinot Blanc também chamada de Klevner na região e Gewürztraminer, dentre outras.

Seus vinhos são caracteristicamente ricos, secos, complexos e frutados. Para os amantes dos vinhos brancos são o paraíso.

Como dica, indicamos um belo exemplar da região, produzido por umas das mais respeitadas vinícolas da região


Vamos ao vinho:

Jubilee Hugel Gewürztraminer

Safra: 2007

Casta: Gewürztraminer

Produtor: Hugel & Fils (fundada em 1639)

UM BELO ALENTEJANO

26/06/2011

Basta uma pequena olhada no mapa de Portugal, para verificar que o Alentejo é a maior região vinícola portuguesa. Alentejo, como o nome já identifica, remete a “Além do Rio Tejo”, ou seja, uma região ao sul de Portugal, abaixo da rio que  empresta seu nome.

Com aproximadamente 31.000 km² (quase um terço de Portugal), o Alentejo, sozinho, responde por quase 10% de toda a produção vinícola lusitana.

O cultivo de uvas e a tradição vinícola remontam à época da presença romana na região, algo em torno do século 4 a.c.. Suas planícies vastas e quentes a transformaram no “celeiro” de Portugal, e foi justamente essa vocação agrícola que relegou o Alentejo ao quase ostracismo vinícola em Portugal.

Na década de 40, Salazar (ditador português) mandou remover as videiras do Alentejo, para fomentar o plantio de gêneros alimentícios, fazendo com que a região pudesse produzir alimentos para o país. Tal medida relegou a produção local (alentejana) a obscuridade, ou ao menos ,não permitiu uma completa evolução, como a dos seus irmãos do Douro.

Somente a partir dos anos 1990 é que o Alentejo passa a se modernizar, com a implementação de novas regras de plantio e vinificação. Há quem diga que esta evolução foi prejudicial, porque retirou características marcantes dos vinhos da região, tornando-os padronizados. Verdade seja dita: A padronização dos vinhos, deixando todos com a mesma cara, em obediência a um mercado que adora vinhos frutados, potentes e amadeirados, é terrível, mas isso é assunto para uma outra postagem.

Entretanto, para o Alentejo a evolução foi benéfica. Bons vinhos tornaram-se excelentes e, na maioria da vezes, fugiu-se ao execrável padrão (frutado, alcoólico, amadeirado) que Robert Parker tanto admira e os neófitos compram.

O Alentejo é celeiro de grandes vinhos, tais como o Pera Manca, Mouchão Tonel 3-4 e outros. Deixo como dica um alentejano excepcional. Se ainda não tem o mesmo respeito aqui no Brasil, que os dois citados acima, é por pura falta de conhecimento dos brasileiros. Vamos ao vinho:

– Monte da Penha Reserva – 2001 – DOC Alentejo

Vinho Alentejano, da sub região de Portalegre.

O vinho leva as castas Trincadeira (55%), Aragonês (25%), Alicante Bouschet (18%) e Moreto (2%). O mesmo estagia um ano em pipas de carvalho francês e, depois, mais 6 meses em garrafa, antes de ser posto a venda.

Possui 13% de álcool, o que é uma benção nos dias de hoje, fugindo completamente do já citado padrão  (frutado, alcoólico, amadeirado). Vinho muito equilibrado, com muito corpo e taninos totalmente arredondados. Já apresenta notas de evolução, com um marcante toque de pelica. Mutíssimo persistente, tanto no nariz, quanto na boca.

Preço médio: R$ 250,00

Recomendadíssimo.

VISITA À CHAMPAGNE

07/05/2011

Existem muitos espumantes, mas pouco podem ser Champagnes.

Uma visita a Champagne, a terra dos mais famoso dos espumantes.

Champagne é uma região no noroeste da França, que apesar de produzir vinhos tranquilos (não espumantes), é famosa por ser o berço do vinho espumante de mesmo nome.

As grandes vinícolas encontram-se em Epernay (capital) e Reims. Reims possui muitas curiosidades, e umas delas é abrigar a Catedral de Notre-Dame de Reims, local de coroação de vários reis franceses, construída em 1225.

A região, como um todo, foi povoada por romanos ainda no século VI D.C.. Os romanos cavaram vários poços, para obter argila necessária para suas construções.

A saída dos romanos deixou vários legados, mas nenhum tão curioso quanto os poços de argila, abertos, profundos e abandonados. Estamos falando de poços de 30 metros de profundidade, e em grande quantidade.

Os franceses logo perceberam, que estes locais eram propícios para armazenarem seus champagnes, dado que a grande profundidade mantinha a temperatura ali embaixo, constante o ano todo, em torno de 10 graus, o que é perfeito para armazenagem de vinhos.

A partir daí, muito produtores passaram a cavar túneis interligando os diversos poços, construindo verdadeiras “cidades”.

Para se ter uma ideia, para se alcançar os túneis da casa Pommery, uma das mais tradicionais de Champagne, usa-se uma escadaria de exatos 116 degraus.

Lá em baixo existe um verdadeiro mundo de garrafas armazenadas e sendo transportadas de um lado para o outro.

Existem inúmeras casas que agendam visitas guiadas. Como dica, sugiro a Pommery, que apesar de não constar em seu site, possui uma guia que fala português, chamada Rita. No site não encontrará essa informação, mas basta ligar ou enviar um e-mail, e pedir a visitação com a guia Rita, uma portuguesa muito educada e que sabe tudo de Champagne.

Não teria graça alguma uma visita, sem degustar o precioso nectar. Na região encontram-se champagnes de todas as marcas, grandes ou pequenas.

Deixo a dica do Pommery Millésime 2002, um champagne brilhante, com aromas tostados e evoluídos. Na boca uma cremosidade impressionante e uma persistência de deixar saudade. Sinceramente, deixou um Dom Perignon no chinelo. Ainda assim vale a pena experimentar outras opções.


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