MADEIRA – O VINHO FLUTUANTE


O vinho madeira é provavelmente, ao lado o do vinho do porto, o maior patrimônio vinícola  de Portugal.

Este vinho, muito apreciado em todo mundo, e infelizmente não muito consumido no Brasil, faz parte da história do mundo. Há citações do vinho madeira na literatura, como na peça Henrique IV obra de Shakespeare, quando o personagem Falstaff é acusado de vender sua alma, em troca de um cálice de vinho madeira:

Henrique IV – Parte I – Cena II

que acordo fizeste tu com o diabo, que lhe vendeste a alma na passada Sexta-Feira Santa por um cálice de madeira e uma coxa fria de capão?”

Outra passagem memorável do vinho madeira na história, foi a sua escolha como o vinho de celebração dos patriarcas da independência dos Estado Unidos da América. Em 1776, no dia 4 de julho, o madeira foi escolhido, talvez por influência de Thomas Jefferson, um assumindo admirador deste vinho, para brindarem a independência daquele país.

Mas de onde vem o vinho madeira, como ele é feito? Quais as suas peculiaridades?

A história do vinho madeira é quase que uma obra do acaso. Como o nome diz, o vinho é proveniente do arquipélago da Madeira, situado a oeste da costa africana, pertencente a Portugal.

A ilha da madeira fazia parte da rota marítima do Atlântico, para abastecer  o novo mundo e a Índia. Assim, os vinhos eram embarcados nos porões dos navios e distribuídos aos parceiros comerciais.

Os vinhos eram fortificados com até 20% de álcool, como forma de preservá-lo até seu destino final. Ocorre, que as condições climáticas a bordo dos navios eram as piores possíveis, notadamente a elevada temperatura dos seus porões.

Com o tempo, notou-se que os vinhos chegavam aos destinos com qualidade superior a de quando eram embarcados. Era o calor dos porões, que quase ao “cozinhar” os vinhos, acelerava o processo de maturação e desenvolvia aromas e sabores mais complexos. Em resumo, o vinho melhorava e muito!

A partir de então o vinho passou a ser disputado, e quanto mais tempo no mar, mais refinado era o produto. Como lançar vinhos ao mar, apenas para amadurecê-los, não era uma ideia muito vantajosa (tempo perdido, naufrágios, pirataria etc) buscou-se imitar, artificialmente,  as condições dos navios.

Várias experiências foram feitas, levando-se o vinho à estufas de até 50º. Nos dias de hoje o vinho madeira utiliza-se de estufas de aço inox, controlando-se com mais facilidade a sua temperatura.

O vinho madeira pode ser ser encontrado nas seguintes categorias:  Corrente, Madeira sem adjectivação, Reserva, Old ou 5 anos, Reserva Velha, Very Old ou 10 anos, 15 anos, 20 anos, 30 anos e 40 anos, podendo ira além (100 anos) com indicação da data de colheita.

Um bom vinho madeira não é um vinho barato, embora haja boas opções em conta, mas nem por isso deixe de experimentá-lo, pois com certeza irá desvendar novos sabores e aromas, que foram “descobertos” por acaso, nos porões dos navios.

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