A QUESTÃO DA ROLHA!

Vira e mexe travo uma conversa, quase discussão, com algum defensor ferrenho das rolhas de cortiça.

A grande questão: A garrafa de vinho deve ser vedada, exclusivamente, com uma rolha feita de cortiça?

Lembremos que até o século XVIII os vinhos sequer eram engarrafados, e muito menos vedados com rolhas. É inegável a contribuição que a dupla, garrafa de vidro/rolha de cortiça deu ao mundo do vinho.

Esta combinação, em detrimento das ânforas, mal ou não vedadas, garantiu longevidade e facilidade de transporte ao líquido de Baco.

A cortiça, por sua característica elástica garante excelente vedação, permitindo ainda, graças a sua porosidade, uma micro oxigenação que é muito apreciada para os vinhos que vão envelhecer na garrafa (desnecessário para vinhos de consumo rápido, como a maioria).

Problemas

Ocorre que, o mundo da cortiça não é feito só de maravilhas. Para começar, a cortiça é obtida da casca do Sobreiro, uma árvore típica de Portugal (Alentejo), e que praticamente só se adaptou por lá mesmo.

Para se ter uma ideia da dificuldade de obtenção da cortiça, o Sobreiro depois de plantado só “dará” sua primeira casca para fabricação daquela depois de 25 anos. Após este prazo, com a árvore já madura, a mesma pode ter a casca retirada a cada “míseros” 9 anos.

Já deu para ter uma ideia da dificuldade de se obter cortiça para todos os vinhos do mundo, isso sem falar, é claro, no custo, tendo em vista que é um produto escasso.

Uma rolha de cortiça, de boa qualidade, pode custar de 0,25 centavos de Euro ao absurdo de 1 euro. Imagine isso no custo de uma garrafa de vinho! Há vinhos que custam menos de 5 Euros.

Para piorar, o calcanhar de Aqulies da rolha de cortiça responde por um palavrão técnico, chamado de “2,4,6 tricloroanisole”, mais conhecido na indústria vitivinícola por TCA, o composto que surge associado à presença de odores de mofo ou o chamado gosto a rolha (bouchonée)

O TCA pode atingir  de 3% a 5%  dos vinhos engarrafados com rolhas de cortiça, gerando grandes prejuízos aos produtores.

Há alternativas

Atualmente existem as rolhas feitas de materiais sintéticos, imunes ao TCA e muito usado em vinhos de grande consumo, por seu baixo custo.

Temos ainda as screw caps, ou tampas de rosca, muito utilizadas sobretudo nos vinhos brancos (que não precisam de micro oxigenação). Há excelentes vinhos australianos e neozelandezes que utilizam a screw cap, e são respeitadíssimos no mundo todo.

Há pouco tempo surgiu a tampa de vidro, esta ainda pouco utilizada e menos difundida, mas que pode trazer muitas boas surpresas ainda.

Por fim, quando encontrar um vinho que não possua uma rolha de cortiça, não feche a cara, pois você bebe o vinho e não a rolha.

Gusta_Vinho

Anúncios

Tags: , , ,

5 Respostas to “A QUESTÃO DA ROLHA!”

  1. Silvestre Tavares Says:

    Parabéns Gustavo, bela postagem !

  2. Alexandre Frio Says:

    Vamos de screw cap para os jovens…
    Abraço
    Alexandre Frio

  3. search Says:

    I blog frequently and I truly appreciate your information. Your
    article has truly peaked my interest. I’m going to bookmark your website and keep checking for new information about once a week.

    I subscribed to your Feed too.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: