CLOS DE MONTMARTRE – OUTRO VINHEDO INUSITADO

01/05/2012

Mais um da série vinhedos inusitados, pelo mundo.

Muita gente adorou o post sobre um vinhedo dentro do estabelecimento prisional Pinheiro da Cruz, em Portugal.

(Relembre aqui: http://gustavinho.net/2010/04/29/vinhedo-em-presidio).

Desta vez, a postagem é sobre um vinhedo quase que perdido dentro da cidade de Paris. Acabei por descobri-lo quase por acaso, em uma vista à Cidade Luz.

É impressionante nunca ter ouvido falar do Clos de Montmartre, vinhedo extremamente pequeno, encravado em um terreno de esquina.

A região de Montmartre, com suas inesgotáveis ladeiras, já foi uma área de plantio de vinhas, assim como toda Paris. A especulação imobiliária ocorrida no fim do século XIX praticamente dizimou seus vinhedos.

O Clos de Montmartre, especificamente, foi redescoberto e replantado, em 1933. As variedades que ali se desenvolvem são a Gamay e a Pinot Noir.Image

Todo ano, em outubro, é realizada a Fête des Vendages, festa que celebra a colheita das uvas, com shows, fogos de artifícios e desfiles.

O vinho em si não é barato, e também não é nenhuma obra do deus Baco, sendo considerado por muitos como, no máximo, aceitável. Todo o valor arrecadado com a venda do vinho é utilizado em melhorias no próprio bairro pela prefeitura de Paris, dona do vinhedo.

Enfim, acho que o vinho vale mais pela sua curiosidade e manifestação cívica de uma região. Um vinhedo que resistiu à especulação imobiliária e ao crescimento da cidade, mantendo a tradição vinícola de Montmartre acesa até os dias de hoje.

TAÇA DE ELITE 2011

02/11/2011

Aconteceu novamente.

No dia 22/10/2011, nós, membros da Confraria da Águas Escondidas – CAE, reunimo-nos para mais uma Degustação anual da Taça de Elite.

O local escolhido desta vez foi o restaurante Olimpo, na praia da Charitas, em Niterói.

Serviço atencioso e profissional, os profissionais da casa, capitaneados pelo sommelier da casa, souberam, com maestria servir as preciosidades que foram por nós degustadas.

Mantendo o espírito democrático, quem impera na CAE, os vinhos apesar de obviamente degustado por todos, foram analisados individualmente pelos membros. Seguem abaixo as impressões tiradas no dia, por todos os confrades.

Vamos aos vinhos:

1-Château de Beaucastel Châteauneuf-du-Pape 1979 (Châteauneuf-du-Pape/França).
O resultado de todos os esforços e as inovações de três gerações da família Perrin é evidente quando se tem o prazer de saborear uma boa safra de Château de Beaucastel. Se uma palavra pode descrever os vinhos tintos de Beaucastel seria “pura”: porque estes vinhos são a expressão natural do lugar de onde provem e as uvas a partir do qual eles são extraidos. As treze variedades de uvas da denominação Châteauneuf-du-Pape com uma forte percentagem de Mourvèdre e Grenache (30% cada), 10% Syrah, 10% Counoise e 5% Cinsault. O restante dividido entre as variedades de uva restantes: Vaccarese, Terret Noir, Muscardin, Picpoul, Picardan, Bourboulenc e Roussanne. O vinho matura 12 meses em barrica francesa e depois um ano em caves da Beaucastel.

Nota: Visual límpido, de cor atijolado, meio escorregadio e brilhante. Bouquet de frutas secas, especiarias (pimenta, tomilho), mineral (terra úmida), floral (violeta), couro e um final persistente de tabaco. Na boca é seco, intenso, com um leve amargor, sápido, com nuances de frutas secas e especiarias. Taninos muito finos e sedosos deixando o vinho muito macio e equilibrado. Final de boca persistente. Simplesmente excelente! Um vinhaço com um magnífico potencial de guarda. 13,6% Álc.

2-Casa Ferreirinha Barca Velha 1981 (Douro/Portugal)
Barca Velha é o primeiro símbolo inquestionável da mais alta qualidade dos vinhos do Douro. Clássico, intenso, complexo, elegante e rico, os adjetivos são poucos para descrever aquele que é, desde a sua criação em 1952, o vinho português mais celebrado. Barca Velha é a base sobre a qual se formou a reputação da Casa Ferreirinha, a marca com maior tradição de qualidade no Douro e uma das principais referências mundiais. Barca Velha é declarado somente em anos verdadeiramente excepcionais (14 safras no total) Barca Velha é um vinho único, de grande complexidade, que precisa de tempo. Barca Velha é, desde a sua criação, elaborado com uvas selecionadas no Douro Superior. Predomina a casta Touriga Nacional. Deve ser saboreado com calma, acompanhado por pratos mais cuidados de carne, caça e mesmo alguns queijos, com sabores requintados e bem integrados. 12 a 18 meses em barrica francesa.

Nota: Cor rubi, escuro, boa densidade. Notas complexas de frutas negras (ameixas secas, amoras),compota, com uma madeira fina e discreta. Na boca é estruturado, potente, com ótimo ataque dos taninos e acidez. No geral, é um vinho volumoso, intenso e equilibrado, mas sem deixar de lado a elegância. Final de boca persistente e muito marcante. Um excepcional vinho, com um excepcional potencial de guarda! 13% Álc.

3-Tenuta San Guido Sassicaia 1999 (Bolgheri/Itália)
Bolgheri Sassicaia 1999 D.O.C. Elaborado com 85% Cabernet Sauvignon e 15% Cabernet Franc. Maturado 25 meses em barrica francesa e logo depois mais 6 meses em garrafa. Um vinho de cor escura e brilhante. O nariz mostra um perfume encantador, fresco, mostrando uma deliciosa fruta misturada com tabaco e minerais. Muita elegância e finesse. A boca é elegante, com muita fruta vermelha e pimenta, taninos muito bem entrelaçados, composto com uma textura sedosa, ampla e simplesmente deliciosa..

Nota: Cor rubi, límpido, pouco transparente de brilho médio. Bouquet frutado (amoras, cereja), intenso, persistente, com notas de especiarias, mentol, alcaçuz, anis e floral (violeta). Boca seca, amargor sutil, álcool equilibrado, sápido, taninos macios e finos. Excelente equilíbrio e persistência. Pronto para beber. Sem dúvida, um grande e excelente vinho toscano! 13% Álc.

4-Château La Mission Haut Brion Grand Cru Classé 2002 (Pessac Leognan/França)
Em 1953, o vinho tinto de La Mission Haut-Brion alcançou o título de “grand cru classé” de Graves. Em 1983, os Dillons, também proprietários do famoso Castelo Haut-Brion adquiriram o campo. Situado não muito longe da primeira safra classificada, Haut-Brion, o vinho da Missão é, no entanto diferente. Poderoso, expressivo, ele desenvolveu um toque muito “feminino”. Corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. Maturação de 18 a 22 meses em barrica francesa.

Nota: Outro grande vinho! Cor rubi com reflexos alaranjados, límpido, brilhante e pouco transparente. Bouquet complexo de frutas secas (ameixa, uva passa), especiarias, resina e minerais (terra, verniz) conjugados com uma discreta baunilha no final. Boca seca, de acidez adequada, equilibrado, taninos finíssimos e sedosos. Excelente persistência gustativa. Um vinhaço de qualidade excepcional! 12% Álc.

5-Château Angelus Premier Grand Cru Classé 2006 (Saint-Emilion/França)
Um excelente Saint-Emilion! Sob a direção de Hubert de Boüard desde meados da década 1980, Angelus criou sua reputação de produzir um dos mais importantes vinhos na sua denominação. Elevado a status “1er Grand Cru”, em 1996, o Ch. Angelus é claramente um dos melhores vinhos desta denominação, encantando críticos e amantes do vinho. O Angelus está localizado próximo à cidade de Saint-Emilion e próximo ao famoso Ausone, Belair e Beauséjour. O vinho é feito com 60% Merlot e 40% Cabernet Franc.

Nota: O Angelus foi o último vinho da noite para fechar com chave de ouro. Cor violácea, muito límpido, relativamente escorregadio e escuro. Alcoólico, com notas de frutas negras (amora, ameixa), tostados, alcaçuz, mentol, com um final de compota. Na boca é seco, quente, com taninos e uma textura adequada. Um vinho denso, poderoso e complexo. Excelente potencial de guarda! 14% Álc.

Sítio da CAE: http://confrariadasaguasescondidas.wordpress.com/

 

Vinho da Alsácia

11/09/2011

A região da Alsácia, no noroeste da França, encontra-se próximo à fronteira da Alemanha e Suíça.

A região esteve em muitas ocasiões sob disputa da França e Alemanha, tendo pertencido a cada lado, conforme a época. Com o fim da segunda guerra mundial, a região foi definitivamente incorporada ao território francês.

Esta disputa parece só ter feito bem aos vinhos ali produzidos, pois os mesmo apresentam as belas qualidades francas e germânicas.

Na região a produção é quase totalmente de vinhos brancos, apresentando alguma marca residual de tintos, entretanto inexpressivos. A vocação da região é realmente os brancos, digo, os Grandes Brancos.

As principais castas da região são: Riesling, Pinot Blanc também chamada de Klevner na região e Gewürztraminer, dentre outras.

Seus vinhos são caracteristicamente ricos, secos, complexos e frutados. Para os amantes dos vinhos brancos são o paraíso.

Como dica, indicamos um belo exemplar da região, produzido por umas das mais respeitadas vinícolas da região


Vamos ao vinho:

Jubilee Hugel Gewürztraminer

Safra: 2007

Casta: Gewürztraminer

Produtor: Hugel & Fils (fundada em 1639)

UM BELO ALENTEJANO

26/06/2011

Basta uma pequena olhada no mapa de Portugal, para verificar que o Alentejo é a maior região vinícola portuguesa. Alentejo, como o nome já identifica, remete a “Além do Rio Tejo”, ou seja, uma região ao sul de Portugal, abaixo da rio que  empresta seu nome.

Com aproximadamente 31.000 km² (quase um terço de Portugal), o Alentejo, sozinho, responde por quase 10% de toda a produção vinícola lusitana.

O cultivo de uvas e a tradição vinícola remontam à época da presença romana na região, algo em torno do século 4 a.c.. Suas planícies vastas e quentes a transformaram no “celeiro” de Portugal, e foi justamente essa vocação agrícola que relegou o Alentejo ao quase ostracismo vinícola em Portugal.

Na década de 40, Salazar (ditador português) mandou remover as videiras do Alentejo, para fomentar o plantio de gêneros alimentícios, fazendo com que a região pudesse produzir alimentos para o país. Tal medida relegou a produção local (alentejana) a obscuridade, ou ao menos ,não permitiu uma completa evolução, como a dos seus irmãos do Douro.

Somente a partir dos anos 1990 é que o Alentejo passa a se modernizar, com a implementação de novas regras de plantio e vinificação. Há quem diga que esta evolução foi prejudicial, porque retirou características marcantes dos vinhos da região, tornando-os padronizados. Verdade seja dita: A padronização dos vinhos, deixando todos com a mesma cara, em obediência a um mercado que adora vinhos frutados, potentes e amadeirados, é terrível, mas isso é assunto para uma outra postagem.

Entretanto, para o Alentejo a evolução foi benéfica. Bons vinhos tornaram-se excelentes e, na maioria da vezes, fugiu-se ao execrável padrão (frutado, alcoólico, amadeirado) que Robert Parker tanto admira e os neófitos compram.

O Alentejo é celeiro de grandes vinhos, tais como o Pera Manca, Mouchão Tonel 3-4 e outros. Deixo como dica um alentejano excepcional. Se ainda não tem o mesmo respeito aqui no Brasil, que os dois citados acima, é por pura falta de conhecimento dos brasileiros. Vamos ao vinho:

- Monte da Penha Reserva – 2001 – DOC Alentejo

Vinho Alentejano, da sub região de Portalegre.

O vinho leva as castas Trincadeira (55%), Aragonês (25%), Alicante Bouschet (18%) e Moreto (2%). O mesmo estagia um ano em pipas de carvalho francês e, depois, mais 6 meses em garrafa, antes de ser posto a venda.

Possui 13% de álcool, o que é uma benção nos dias de hoje, fugindo completamente do já citado padrão  (frutado, alcoólico, amadeirado). Vinho muito equilibrado, com muito corpo e taninos totalmente arredondados. Já apresenta notas de evolução, com um marcante toque de pelica. Mutíssimo persistente, tanto no nariz, quanto na boca.

Preço médio: R$ 250,00

Recomendadíssimo.

VISITA À CHAMPAGNE

07/05/2011

Existem muitos espumantes, mas pouco podem ser Champagnes.

Uma visita a Champagne, a terra dos mais famoso dos espumantes.

Champagne é uma região no noroeste da França, que apesar de produzir vinhos tranquilos (não espumantes), é famosa por ser o berço do vinho espumante de mesmo nome.

As grandes vinícolas encontram-se em Epernay (capital) e Reims. Reims possui muitas curiosidades, e umas delas é abrigar a Catedral de Notre-Dame de Reims, local de coroação de vários reis franceses, construída em 1225.

A região, como um todo, foi povoada por romanos ainda no século VI D.C.. Os romanos cavaram vários poços, para obter argila necessária para suas construções.

A saída dos romanos deixou vários legados, mas nenhum tão curioso quanto os poços de argila, abertos, profundos e abandonados. Estamos falando de poços de 30 metros de profundidade, e em grande quantidade.

Os franceses logo perceberam, que estes locais eram propícios para armazenarem seus champagnes, dado que a grande profundidade mantinha a temperatura ali embaixo, constante o ano todo, em torno de 10 graus, o que é perfeito para armazenagem de vinhos.

A partir daí, muito produtores passaram a cavar túneis interligando os diversos poços, construindo verdadeiras “cidades”.

Para se ter uma ideia, para se alcançar os túneis da casa Pommery, uma das mais tradicionais de Champagne, usa-se uma escadaria de exatos 116 degraus.

Lá em baixo existe um verdadeiro mundo de garrafas armazenadas e sendo transportadas de um lado para o outro.

Existem inúmeras casas que agendam visitas guiadas. Como dica, sugiro a Pommery, que apesar de não constar em seu site, possui uma guia que fala português, chamada Rita. No site não encontrará essa informação, mas basta ligar ou enviar um e-mail, e pedir a visitação com a guia Rita, uma portuguesa muito educada e que sabe tudo de Champagne.

Não teria graça alguma uma visita, sem degustar o precioso nectar. Na região encontram-se champagnes de todas as marcas, grandes ou pequenas.

Deixo a dica do Pommery Millésime 2002, um champagne brilhante, com aromas tostados e evoluídos. Na boca uma cremosidade impressionante e uma persistência de deixar saudade. Sinceramente, deixou um Dom Perignon no chinelo. Ainda assim vale a pena experimentar outras opções.

UMA NOVIDADE VINDA DOS ANDES

25/04/2011

Hoje um vinho, que é um achado. Excelente relação custo/benefício.

Quando se fala em vinho argentino, logo vem a mente a uva malbec, que tão bem se desenvolve ali.

A malbec, apesar da origem francesa, e de fazer parte dos vinhos produzidos em Cahors e Bordeaux (pouquíssima quantidade), parece ter encontrado seu local de pleno desenvolvimento, na Argentina, produzindo vinhos tintos frutados, encorpados e até mesmo um pouco tânicos.

Apesar da vocação para tintos, a variedade pode apresentar algumas surpresas, quando vivificada em rosé.

O vinho em questão é um rosé elaborado a partir da variedade Malbec, produzido pela Bodega Chakana. A Chakana é uma pequena propriedade, que se utiliza de cultivo quase totalmente orgânico, situada na região de Mendonza, mas quase ao pé da cordilheira dos Andes, em uma das partes mais frias da região.

A Bodega trouxe para o Brasil a sua linha “Maipe”, que nada mais é que a sua linha tradicional de vinhos “Chakana Yaguareté Collection” e “Chakana Reserva”, com o nome modificado, para o mercado estadunidense.

Maipe, ou maipo em português, é o nome de um Xamã andino, com máscara de  Jaguar, como representado pelos indígenas andinos em seus rituais.

Vamos ao vinho: 

Maipe – Rosé of Malbec – Safra 2010

Preço: R$ 29,00

Adquirido: Supermercado Real de Itaipu – Niterói.

Vinho de bela coloração, intensa.

Aromas marcantes  de cereja e ameixa.

Na boca, a grande surpresa. O vinho não é simples, como o preço poderia indicar. Apresenta boa complexidade e persistência.

Conclusão:  É de “comprar de caixa”. Imperdível.

ADEGA | Vinho – 06.Jan – Franceses decifram cientificamente a maneira correta de se consumir espumante

09/01/2011

Franceses decifram cientificamente a maneira correta de se consumir espumante.

Sinceramente, isso nós brasileiros já sabíamos e fazíamos há tempos. Basta inclinar o copo (taça), para o gás não se perder.

viaADEGA | Vinho – 06.Jan – Franceses decifram cientificamente a maneira correta de se consumir espumante.

MADEIRA – O VINHO FLUTUANTE

05/01/2011


O vinho madeira é provavelmente, ao lado o do vinho do porto, o maior patrimônio vinícola  de Portugal.

Este vinho, muito apreciado em todo mundo, e infelizmente não muito consumido no Brasil, faz parte da história do mundo. Há citações do vinho madeira na literatura, como na peça Henrique IV obra de Shakespeare, quando o personagem Falstaff é acusado de vender sua alma, em troca de um cálice de vinho madeira:

Henrique IV – Parte I – Cena II

que acordo fizeste tu com o diabo, que lhe vendeste a alma na passada Sexta-Feira Santa por um cálice de madeira e uma coxa fria de capão?”

Outra passagem memorável do vinho madeira na história, foi a sua escolha como o vinho de celebração dos patriarcas da independência dos Estado Unidos da América. Em 1776, no dia 4 de julho, o madeira foi escolhido, talvez por influência de Thomas Jefferson, um assumindo admirador deste vinho, para brindarem a independência daquele país.

Mas de onde vem o vinho madeira, como ele é feito? Quais as suas peculiaridades?

A história do vinho madeira é quase que uma obra do acaso. Como o nome diz, o vinho é proveniente do arquipélago da Madeira, situado a oeste da costa africana, pertencente a Portugal.

A ilha da madeira fazia parte da rota marítima do Atlântico, para abastecer  o novo mundo e a Índia. Assim, os vinhos eram embarcados nos porões dos navios e distribuídos aos parceiros comerciais.

Os vinhos eram fortificados com até 20% de álcool, como forma de preservá-lo até seu destino final. Ocorre, que as condições climáticas a bordo dos navios eram as piores possíveis, notadamente a elevada temperatura dos seus porões.

Com o tempo, notou-se que os vinhos chegavam aos destinos com qualidade superior a de quando eram embarcados. Era o calor dos porões, que quase ao “cozinhar” os vinhos, acelerava o processo de maturação e desenvolvia aromas e sabores mais complexos. Em resumo, o vinho melhorava e muito!

A partir de então o vinho passou a ser disputado, e quanto mais tempo no mar, mais refinado era o produto. Como lançar vinhos ao mar, apenas para amadurecê-los, não era uma ideia muito vantajosa (tempo perdido, naufrágios, pirataria etc) buscou-se imitar, artificialmente,  as condições dos navios.

Várias experiências foram feitas, levando-se o vinho à estufas de até 50º. Nos dias de hoje o vinho madeira utiliza-se de estufas de aço inox, controlando-se com mais facilidade a sua temperatura.

O vinho madeira pode ser ser encontrado nas seguintes categorias:  Corrente, Madeira sem adjectivação, Reserva, Old ou 5 anos, Reserva Velha, Very Old ou 10 anos, 15 anos, 20 anos, 30 anos e 40 anos, podendo ira além (100 anos) com indicação da data de colheita.

Um bom vinho madeira não é um vinho barato, embora haja boas opções em conta, mas nem por isso deixe de experimentá-lo, pois com certeza irá desvendar novos sabores e aromas, que foram “descobertos” por acaso, nos porões dos navios.

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TAÇA DE ELITE 2010

22/12/2010

Mais uma vez a Confraria das Águas Escondidas – CAE, confraria da qual muito me orgulho de fazer parte, na cidade de Niterói/RJ, superou-se em uma fantástica degustação.

A degustação em questão, diferente das mensais, ocorre uma vez ao ano e denomina-se Taça de Elite. Apenas 10 (dez) confrades participam dela, que aborda vinhos de alta gama. Há lista de espera, formada por outros confrades, para poder participar da Taça de Elite.

O local escolhido este ano foi o restaurante Tratoria Torna, na cidade de Niterói. Local bem escolhido, com excelente serviço de vinho e boa comida.

Como a degustação foi feita coletivamente, tomei emprestado parte dos apontamentos do meu amigo e confrade Marcelo Andrade, que condensou todas as nossas impressões. Bem, vamos direto ao ponto e falar sobre os vinhos degustados.

1-Pouilly-Fumé Pur Sang 2004, 11,5%. Didier Dagenau. Valle do Loire, França
O cara era considerado o papa do Vale do Loire. O melhor produtor da região. Foi o último vinho produzido por ele junto com o seu outro rótulo, o Sílex. Seus dois grandes vinhos. Uma raridade! Hoje o Domaine é tocado pela família. Cor amarelo palha, límpido e transparente. Bouquet agradável, fragrante, amplo, rico, complexo. Notas de frutas tropicais (maça verde, maracujá), ervas e mel. Na boca, as frutas se misturam com toques de maracujá na medida certa, aspargos, mel, uma acidez gostosa com traços minerais evidentes. Final fresco, seco e persistente. Um excelente Sauvignon Blanc do Loire!

2-Puligny Montrachet Premier 1er Cru La Garenne 2005,13%. Jean Marc Boillot. Bourgogne, França
Jean-Marc Boillot, é produtor de Pommard, instalado em 1985 após ter trabalhado na propriedade da família em Volnay, e, em seguida, com Olivier em Leflaive Puligny-Montrachet. Esse cidadão hoje, possui apenas 11 hectares de vinhas. Uma equipe de apenas 4 pessoas produzem o vinho. Concebido pelas técnicas tradicionais de produção. Os lotes da família estão localizados nas cidades de Pommard, Volnay, Puligny-Montrachet e-Chassagne-Montrachet. Cor amarelo palha, límpido e brilhante. Um vinho muito novo. Notas aromáticas intensas de frutas brancas, amêndoas, nozes e mel. Excelente bouquet. No exame gustativo, fruta madura, nozes, mel, lichia e toques minerais. Untuoso, fresco, bom corpo. Na boca é sápido, fresco, amargor sutil, equilibrado, boa acidez e final marcante. Precisa de alguns anos em garrafa, para mostrar todo o seu potencial. Muito bom vinho.

3-Châteaux Margaux 1er. Grand Cru Classé 1999, 12,5%. Bordeaux, França
Um nome que evoca história, um sonho. Dispensa demais apresentações. Cabernet e Merlot. Cor vermelho, opaco e límpido. Bom corpo e lágrimas persistentes. Notas aromáticas complexas de frutas negras (ameixa, cereja), frutos secos e torrefação (café) e madeira. Na boca é complexo, Excelente acidez, taninos finos, toques de frutas secas, redondo, rico, macio e equilibrado. Final de boca intrigante e fino. Na minha opinião é um vinho elegante, com alguns anos de guarda para mostrar todo o seu potencial. Um excelente vinho.

4-Barbaresco Il Bricco 2003, 14%. Pio Cesare. Piemonte, Itália
Os vinhos de Pio Boffa são tradicionais, referência em toda a Itália e no mundo. O Barbaresco Il Bricco é o vinho top de Pio Boffa. 100% Nebbiolo. Um vinho espetacular, de um vinhedo no alto da colina em Treiso. Cor granada, escuro, bom corpo e lágrimas abundantes. Notas de ameixa, amora, cassis, menta e canela com notas de madeira integrada e soubois. Na boca é encorpado, com toques de baunilha e frutas. Um vinho de caráter elegante, marcante, sápido e final longo. Simplesmente excepcional! Imaginem daqui há alguns anos?

5-Vega Sicilia Unico 1999, 14%. Bodegas Vega Sicilia. Ribera del Duero, Espanha
Cor vermelha com tons de rubi. No nariz uma mescla intensa e complexa de aromas, com toques de madeira fina, alcaçuz, compotas de frutas vermelhas, defumado, toques balsâmicos mentolados e canela. Na boca, uma sensação sutil, de finess, mas ao mesmo tempo untuoso, opulento, com um paladar equilibrado, saboroso, com nuances de tabaco e cedro. Equilibrado, intenso, acidez e taninos adequados e agradáveis. Final longo e com ótima persistência, deixando uma sensação magnífica no final. Um vinho excepcional, com muita vida pela frente!

6-Château Guiraud 1er Grand Cru Classé Sauternes 1997, Château Guiraud. França
Um vinho soberbo, magnífico e com uma bela iniciação ao Ch. D’Yquem do ano que vem…(risos). Corte de Semillon (65%) e Sauvignon Blanc (35%). Envelhecimento em barrica durante 24 meses.. 97 foi uma das grandes colheitas de Sauternes. Cor dourada. Nariz fino, fresco, com notas florais (jasmim) e de frutas com mel, notas de laranja e frutas cristalizadas. Na boca, traços da botrytis, doce de laranja, repetindo as frutas cristalizadas e figo. Acidez vivaz com ótima doçura. Opulento, com grande intensidade aromática e gustativa. Realmente, um vinho muito bom.

Uma degustação e tanto, para ficar na memória.

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VINHO DON DIEGO

19/12/2010

Muito provavelmente a Cabernet Sauvignon é a uva que mais se adaptou aos vinhedos de todo o mundo. Há belos e medíocres exemplares de vinhos feitos com a Cabernet Sauvignon por toda a parte.

O tema deste blog está no rol da primeira parte, dos belos e grandes vinhos. O vinho em questão é o Don Diego, Cabernet sauvignon safra 2006.

O vinho em questão foi adquirido na Porto Leblon, no Rio de Janeiro. Trata-se de um varietal, 100% Cabernet Sauvingon, que muito me surpreendeu.

O vinho é produzido pela Finca Don Diego, que fica na província de Catamarca, no noroeste da Argentina, a mais de 1500 metros de altitude.

O Don Diego é um vinho orgânico, ou seja, na plantação das uvas não se utilizam herbicidas ou pesticidas químicos para eliminar as pragas, que prejudicam a vinha e nem adubos químicos.

A garrafa em questão é numerada, o que demonstra o cuidado e qualidade premium dos vinhos produzidos pela Finca Don Diego.

Vamos ao vinho:

Vinho de coloração vermelho rubi, com reflexos violáceos.

Aromas de pimentão, tabaco e um agradável toque mentolado. Frutas maduras, com cereja e cassis sobressaindo após um tempo na taça.

Na boca mostrou-se um vinho potente, com álcool bem integrado. Os taninos, presentes em grande quantidade, estavam perfeitamente domados e arredondados.

A madeira é presente, mas muito bem integrada, distanciando-se de alguns vinhos argentinos, que parecem  sucos de madeira, de tanto aroma de carvalho.

Um vinho de qualidade, que me surpreendeu de forma muito positiva. Já estou encomendando uma nova garrafa.

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